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Birra ou transtorno

Birra ou transtorno no desenvolvimento? será autismo? todas as crianças são assim? no vídeo eu menciono este link do Lua de Mel 👉🏽 https://youtu.be/45nWfpCILw8 Assista o vídeo...



"A quem muito é dado, muito é exigido"


Volta e meia me pego olhando esta foto. Tenho 3 ou 4 de toda minha infância...
Lembro do exato momento em que colocaram aquele laço no meu cabelo. Lembro do meu silêncio, de haver luzes vindas de um guarda chuva preto, e que o fotografo mandou sentar de lado e virar a cabeça para frente.
Eu tinha o que? 4, 5 anos? ano 87, 88?
Tenho memórias tão nítidas da minha infância, e isso me faz pensar no tipo de lembranças que meu filhos hão de ter.
Que eu erro e vou errar muitas vezes é um fato consumado. Estou em paz com isso... Nem que eu quisesse ser "A Perfeitinha", não dá! Tenho defeitos amais, sou prática demais, sou uma camaleônica lutando para ser constante...mas me policio. Quero que meus filhos tenham a infância mais normal possível.
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Eu sei o contributo que dou na formação de carácter de cada um deles. Eu penso nisso o tempo todo!!!! "A quem muito é dado, muito é exigido".
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Parece memória de um filme que assisti. "A menina obedeceu, sentou de lado, inclinou a cabeça e deu esse fantástico sorriso forçado, porque alguém disse... 'Sorria para Foto'!  Voltou para casa e assistiu na TV com sua amada irmã, ao fim da tarde, o programa da Mara Maravilha."

Amor nunca acaba.



Minhas relíquias... memórias com mais de 30 anos aqui guardadas. Eu não guardo tudo! Já me mudei tantas vezes, só nos últimos 10 anos foram 9 casas diferentes. Vivi em 4 países, minha vida é nômade, saí de casa aos 16, mas tenho meus valores bem definidos.

Uma parte difícil do "meu" autismo/aspie, é que sinto pelas pessoas o mesmo, não importa o quanto tempo fique distante. Se um dia te amei, continuo a amar para sempre. Não me esqueço dos dias em que você faz aniversário, rio sozinha de conversas divertidas que tivemos, comento sobre você como se conversássemos diariamente. O chato é que, como não envio nenhuma mensagem, nenhum “feliz Natal”, ninguém sabe o quanto ainda as tenho presente em mim. E se por um acaso, volto a falar, empolgada e feliz com a tal pessoa com quem não tenho contacto há uns 20 e tal anos, “curiosamente” o carinho não é recíproco.

#autistaéamãe #autoemmim #naotaoautoassim #memorias #reliquias #maedefamilia #maede3quase4 #valoresqueensino #valoresquevivo #estasoueu

A Magia do Natal...


Te desejo a casa cheia e fartura à mesa. Crianças cansadas e felizes de tanto brincar.
Mãe falando alto, barulho dos vizinhos, surpresas à porta, lembra daquele primo? hoje resolveu visitar.

Espero que não te falte tua família que tanto ama, mas se faltar, que isso não te amargue a alma. Olha para o lado, atravessa a rua... ali naquela casa, tem alguém querendo conversar. Natal é sobre o que você tem para dar, e não sobre o que ninguém te dá.  Menos "eu" e mais "o próximo".

Feliz Natal 2019♥️
Stephanie Matos, a mãe de 3 quase 4. Te amo Sogra, obrigada por esta linda mesa de Natal.


Então é natal, e o que você fez?


Caminhei, caminhei, caminhei fazendo o meu caminho da melhor forma que pude.
O ano podia ter sido melhor? "sei lá"... me arrependo do mal que fiz a alguém, por não ter sido 100% correta com tudo e com todos. Algumas vezes eu podia ter sido melhor, eu sei, admito.
Não tenho metas certas para minha vida, meu objetivo é a caminhada. Bem mais do que trilha, por onde passo tenho construído civilizações, e isso é meu ideal.

Desisti de algumas coisas, abandonei alguns pesos que foram sobrecarregando, os frutos que estavam feios e sujos eu cortei. Isso também foi desistir...

Não dormi todas as horas que gostaria, não comi tudo que me apetecia, não fui sempre onde meu coração mandou. Ainda assim estou em paz. Este caminho me trouxe até aqui, e este "aqui" eu gosto, é tudo o que hoje preciso.
"E basta a cada dia o seu próprio mal"

Gratidão por 2019.
Porto, Dezembro 2019.

Stephanie Matos, a mãe da Joana, do Pedro, do Jorginho, Madrasta do Afonso, mulher do Jorge. Autista, doutora, "blogueirinha", escritora, mulher... Serva do amor.

Mutismo seletivo?



"Hoje ele quase falou comigo, já diz hum hum... mas ainda não quer falar". "Anda aqui Pedro, da-me um beijinho"
dizia ontem uma das auxiliares que cuida do Pedrinho na escola. E concluiu entusiasmada... "Não desisto, ele ainda vai falar comigo".

Pedrinho não abre a boca na escola... já fala, diz muitas palavras novas e cada dia melhora a pronúncia. Mas é muito selectivo, apenas fala com quem e quando quer... chega a passar o dia completamente calado.

Pedrinho, tenho tanto orgulho de você. Meu ursinho meiguinho, te amo! 💙

Avô cantigas, um dia especial para nós


Fui buscar as crianças à escola por volta das 17h... em meia hora tínhamos que estar no evento do IKEA.
Vai lá estar o Avô Cantigas, um personagem muito amado por todas crianças e adultos em Portugal. Mas eu estava com MEDO!
Coloquei-os no carro, apanhamos um trânsito terrível, vamos chegar atrasados.
A meio do caminho ganhei coragem e disse: "Já devem ter notado que não vamos para casa" e começam os gritos...
"Eu não quero", "Vou morrer" "eu odeio"...
Você perfeitinha diz... "Ah Porque não preparou as crianças psicologicamente para isto?? elas vão gostar do passeio.".
Porque toda e qualquer mudança na rotina deles causa stress e ansiedade que acabam com toooodo o dia deles.
Tenho que dizer na hora, quando já estão e conseguem perceber que não será uma má mudança.
Estas caras na foto, acreditem, são crianças muito felizes e que estavam muito contentes por conhecer de perto o Avô Cantigas , mas a forma de demonstrar o que sentem é única. Somos neurodivergentes, não reagimos nem um pouco como é esperado. Eu sou adulta, sei como "devo estar" e nesses lugares me transformo no personagem que esperam de mim.
Tenho medo sim!...MEDO!. Medo de chegar ao evento e eles gritarem e ofenderem alguém. Medo de serem estigmatizados...
Estávamos sentados aos pés do cantor durante o concerto.Pedrinho hipnotizado, apaixonado pelo que via e ouvia, mas nem uma sombra de sorriso... Joana ficou mais distante, depois sentou-se ao nosso lado, cobriu os ouvidos e começou a se sacudir... "O som está alto mamã", dizia fazendo careta.
Chegamos a casa e ela veio umas 15 vezes a minha cama, enquanto eu adormecia o Jorginho, apenas para me dar um beijinho. E lia-se nas entrelinhas do seu sorriso, "obrigada mamã, adorei conhecer o Avô Cantigas"
E este foi mais um dia em nossas vidas...#tea #maedefamilia #neurodiversity #brincarfazbem

TER STRESS EM CASA É O NORMAL!!!

Casa "calminha" o tempo inteiro, relacionamento sempre com cara de publicidade, nem Jesus conseguia... Ter aflições não é o problema.... mal é cair no desanimo e não conseguir sair disso. Vem fazer parte da família no www.maedefamilia.pt subscreva o canal e ative as notificações para ser avisado dos vídeos. Um canal que fala de amor, cuidado, respeito pelo próximo.

Halloween em Portugal 2019 com crianças...





Um mês falando no tal dia de Halloween, que ia vestida de Arlequina, que queria uma maquiagem não sei das quantas... passar spray rosa na ponta do cabelo...
Quis por que quis um bastão de beisebol... o pai correu atrás e encontrou um de borracha para poder levar à escola(#hojeEsqueceuEmcasa 🤦🏼‍♀️🤦🏼‍♀️🤦🏼‍♀️🤦🏼‍♀️).
E essa manhã, como tinha de ser, foi aquele Deus nos acuda.
A roupa que pinica, faz comichão, coceira e sei lá mais o que. O cabelo que não é assim... Pediu um batom rosinha, passei e ela quase morreu sufocada porque DECIDIU que o batom era muito mau então surtou...
Enfim... um dia como outro qualquer...
O Pedrinho... um fofinho, como sempre, mas... tem que imitar a mana, ela se zanga, ele também bate o pé 🙄.
E para melhorar a coisa, cheguei na escolinha do Jorginho, é dia de sessão fotográfica dos bebés... e justo hoje o menino foi vestido de mendigo e não era fantasia de Halloween (#exagerda#dramática)...
E lá corre a mãe a casa para buscar uma roupinha mais "arrumadinha" para foto.
As fotos não são as melhores, mas se nota a alegria 😂😂😂

Criança inquieta? Dorme pouco?


*Aproveito esse vídeo para repostar este texto de quando minha Joaninha tinha apenas 3 anos, há quase 5 anos.

Meu filho tem o desenvolvimento atrasado?



Como pais, podemos identificar os "atrasos" dos nossos filhos. As limitações até podem ser saudáveis. Quem não tem?

Os limites fazem-nos tentar saltar barreiras



Se nossos filhos não estão como os da média, nós incentivamos o desenvolvimento com tarefas para isso. Mas nunca cobrar. Nosso lema aqui em casa é :"Sem Pressão!". Cada criança tem seu ritmo. Alias, cada ser humano tem seu tempo.

Minha filha de 3 anos tem a fala ligeiramente atrasada se comparada à algumas da mesma idade. Vivemos em um país estrangeiro,neste momento na Romênia, e utilizamos 3 línguas diariamente. Além da língua local.

Trabalhamos com a Joana, sem pressão... lhe ensinamos letra a letra, como se pronunciam as palavras... (Um terapeuta da fala ou fonoaudiólogo Português aqui, não existe.. )

 Não devemos coloca-los em uma redoma, e fazer de conta que a dificuldade não existe. A aceitação de um "problema" pode evitar traumas e estimular o progresso.

Mas isso vale para todos. Não só para as crianças.

Tenho um grande amigo ortopedista, e um dia ele me contou que para terminar a faculdade de medicina ele demorou 12 anos, 6 amais que o habitual...porque ele se dedicava muito às práticas e acabava por não passar nas provas teóricas. Pensou até em desistir.  Depois, demorou ainda alguns anos para entrar na especialidade de ortopedia. Nunca alcançava a nota que a especialidade pede. Mas hoje ele é um maravilhoso ortopedista, e trabalha onde quer.  Ele me disse assim...:"Ninguém se lembra do meu percurso e das dificuldades que eu tive. Nem a minha família. Porque agora já sou ortopedista."

 Devemos rever nossos sonhos de tempos em tempos. Uma meta não deve ser uma obsessão.

Lutamos, e nos esforçamos o caminho inteiro, mas nossa felicidade não pode ser a meta final.

Há crianças que nunca irão caminhar, falar, ou muitas coisas. Podemos orientar, ensinar, estimular... devemos ama-las independente do que elas são capazes ou não de fazer.

Os valores andam trocados. Uma pessoa não é o que ela faz. Uma pessoa é muito mais do que isso.

Minha Aspiegirl



Fui a escola da Joana hoje e todo, todos TODOS os colegas de aula vieram me abraçar. Joana é querida e amada de um jeito que surpreende. Eles respeitam-na pela opinião que tem. São crianças entre os 7 e 8 anos, meninos e meninas que olham e ouvem o que ela tem a dizer, com atenção. Fiquei mesmo impressionada. Não estava a espera.
A professora falava sobre a Joana com olhos em água.
Cheguei em casa, e Joana se estressou comigo e começou a se coçar e se bater nervosa porque o disfarce de Halloween lhe irritava a pele e sei la mais oque lhe frustrava. Olhei calma e apaziguei o meu coração com a certeza de que, ela guarda suas "crises e explosões" para quem confia. Sabe que comigo pode surtar e se descabelar. Aqui pode gastar toda a amargura e ira que lhe venha. Comigo pode ser quem quiser, sem faltar ao respeito, porque mãe ama e perdoa tudo.

Feliz por você se comportar tão bem minha princesa. Mais feliz ainda por saber que, comigo, você não tem medo de falhar.

#missPerfeitinha #tea #Aspiegirl #primogenita  #meumundoévc #teamo #maede3quase4  #maedefamilia

O Silêncio que escolho.


Tenho aquela memória silenciosa da minha infância, do isolamento mental.

Tínhamos um baloiço em casa, ficava ali horas seguidas ao fim da tarde. Ainda consigo sentir a melancolia da penumbra, uma nostalgia constante de sei lá oque, que me dizia que já eram horas de vestir-se para ir à igreja. Todos os dias de segunda à segunda.
Lembro de vigiar as 3 Marias no céu, enquanto pensava se ainda estariam ali amanhã.

Silencio mental, eu via tudo, ouvia e falava pouco, minha cabeça escrevia uma história, tentando interpretar o que eu aprendia.
O nada me conforta, som de pouco ruido, constante e sem alterações.

Comecei a trabalhar ainda muito cedo, não me lembro de uma idade desde antes dos 6 anos em que não ajudasse meus pais na fábrica, depois na instituição. Aos 16, 17 anos trabalhava noite e dia como vendedora ambulante, me sustentava. Depois com a faculdade de medicina, o trabalho era mais intenso em dias pontuais, feriados , férias, fins de semana.

Cresci observando. Vendia aprendendo o comportamento e tons de voz. Sozinha no que fazia, o isolamento que tanto cultivei. Os momentos a sós alimentavam minha alma, enquanto a obrigação empurrava-me para o que tinha que ser feito.
No balanço da minha vida eu ia sentada, sozinha, vendo tudo de cima como quem assiste, mas ao mesmo tempo a inercia do ponto em movimento, com o girar da terra, das horas, dos meus dias, da existência, impulsionava o avante.

Auto em mim, mas sempre aqui, no mundo em que todos estão.
Stephanie Matos #autistaéamãe #autoemmim   #maedefamilia #TEA

Os meus, o teu, o nosso...


Um casal tão bonitinho, com tantas crianças. Os olhares de surpresa, as vezes pena, ou mesmo medo. Ninguém fica indiferente à nossa chegada.

Os meus, o teu, o nosso...

Logo você que pensava que teria 1 filho na vida, tem casa cheia de pequenos que nunca, nunca, nunca - já disse nunca?- param.

Quem encontra um companheiro que realmente carrega o jugo por igual na caminhada da vida, encontra um tesouro. Os dias são complicados, não há um como o outro. Cada semana é o início de um novo desafio, mas aqui estamos nós. Pela graça do bom Deus seguimos adiante. Nem sempre completamente erguidos, muitas vezes condoídos e meio tortos, mas continuamos. Temos em nós o firme fundamento das coisas que não se veem, mas que esperamos.

Te amo ❤️.

#stepbystep #teamo #jorge

Ele já anda?


Este é meu Jorginho, meu bebé clichê que sorri, olha nos olhos e se acalma no abraço. Assim como foi meu Pedrinho até o dia que começou a ter medo de crianças e preferir adultos (nem sempre também), corria para a estrada sem medo dos carros, saltava do alto do escorrega e se caísse de cabeça no chão não deitava uma lagrima. Dizia ola e chau, acenava com a mão... dizia algumas palavrinhas e parou de tentar se comunicar verbalmente.

"Você não deixa ele falar, esta respondendo por ele... quer ver? Pedro, só te dou àgua se você disser ÁGUA"

Deixou as fraldas e sozinho se levantava a meio da noite para fazer xixi, sem acordar ninguém, ia e voltava do penico. Até que... começou a fazer coco e xixi na roupa. Aqui fases vem e vão. Não temos certezas sobre nada, além do que me prometo diariamente a dar, cuidado, carinho, correção, respeito e paciência. Agora voltou a falar e nas ultimas 2 semanas aceita repetir oque pedimos que diga (Exatamente como foi com a Joana depois dos 3 anos e meio)

Quem eu amo mais, Jorginho, Pedro, Joana?? é possível essa questão existir??? Qual deles é o mais capaz? 

Cada pedacinho meu tem seu eu que fez-me apaixonar por ele.

Não é sobre evoluir fisicamente, sobre quando senta, deita, rebola, anda ou fala.
É sobre ser cuidado e irradiar oque recebe.
Este é meu Jorginho, irmão do Pedrinho e da Joana. Crianças ricamente amadas e tratadas como se fossem revolucionar o universo, com tudo que aprendem e os permito fazer.
Este é o Jorge, que assim como teu filho, veio mudar o mundo.

Lar doce lar...




Se eu tivesse que escolher uma palavra que me representa, seria "brio".
Minha infância e parte da adolescência foi cheia de amor próprio, que tanto ofendia os que passavam por mim. Em 36 anos apenas tive pessoas que passaram por mim.

Nunca vivi mais do que 4 anos na mesma casa, nunca. Me impressiona quando oiço alguém dizer, "esta é minha casa". Me apercebi que nos poucos 6 anos de vida da minha filha, ela já morou em mais de 7 casas. Não sei se herdei este desapego a paredes e bens, ou se fui desenvolvendo com as necessidades da vida.
Avaliando isso, pensei no tal Brio, o valor que me fazia erguer a cabeça e tanto esforçavam-se por injuriar.
Altivez, vaidade, arrogância, classificavam-me. Ensinaram-me que o pundonor, o tal amor próprio que era nato em mim, devia ser quebrado. Que era ameaça ao mundo. "Você tem que ser mais humilde".
Sempre quis um lar, sempre quis um lugar que me fizesse sentir em casa, que eu pudesse repousar segura e dizer, este aconchego se encaixa a mim como eu a ele.
Meu conceito de lar não inclui paredes, geografias ou qualquer adorno, o único critério é a segurança física e emocional. Meu sonho de lar.... sonho.
Partilhei o jornal que aquecia o chão na rua com desconhecidos que como eu sabiam que neste mundo nada temos e daqui nada levamos.
Amei e fui amada, fui odiada, já apanhei.
Dormi com fome, e pela manhã estava lado a lado com quem tinha amais, nunca me revoltei contra ninguém por isso. Cada um com sua seara, mas meu brio nunca me fez indiferente, sempre estimulou a plantar com os que plantam mesmo que eu não colhesse um grão daquela safra.
Não sou santa, não sou "a boazinha", não sou vitima. Apenas via que precisava ser feito, e fazia junto. Nem sempre tanto ou tão bem feito quanto eu gostaria, mas ali estava eu, carregando sacos de cimento no mutirão de obra do desalojado, segurando a mão na madrugada fria de gente que eu sabia que ia morrer sozinha antes do amanhecer, conversando horas a fio com quem estava angustiado e me desfazia a alma ver sofrer.
Todos passaram... todos foram. Ninguém nunca ficou. Escrevo isto e me vem ao coração,
" Vendo Jesus uma multidão ao redor de si, deu ordem de partir para o outro lado do mar.    E, aproximando-se um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te- ei para onde quer que fores.   Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." Mateus 8:18-20.
Ele não fugia das pessoas, fugia das multidões. Da glória inglória, não necessitava a vaidade dos aplausos, sua vida era servir quem queria ser servido, e ensinar a "pedir e querer" aos que não sabiam escolher.
E quando um "Doutor" da época, um dos de grande status lhe diz: Eu deixo tudo e vou para onde você vai, Ele, meu mestre diz: Eu não tenho rota definida, não tenho um altar para que me exaltem, ou um reino que eu governe neste mundo. Tenho pessoas que precisam e seguem oque ensino, e estes são meus pai's, minhas mãe's e meus irmãos.
Nada ou ninguém que tenho é direito herdado, todos eu conquisto dia a dia quando eles escolhem viver pelo meu sangue, pelo que acredito e amo.

A verdade é que minha casa, nunca foi aqui, eu sei. Meu coração se aperta com saudades de casa, da casa que enquanto aqui viver não irei conhecer. Meus laços de sangue eu criei com os que vieram e foram.
Hoje sou mãe, e desde que entreguei meu corpo a eles, fiz-me lar dos que de meu ventre saíram.
Por muitos anos me tentaram convencer que meus valores eram individualistas e soberbos.

Hoje, não quero reaver esta tal estima que eu me tinha. Foram tantas pancadas. A força do caule deste pequeno arbusto era ofensiva demais aos que temiam minha "altivez".

Num ramo tão fino crescem tão pesadas uvas.

Desisti, hoje quero apenas ser uma flor, dificilmente conseguirei ser mais uma das que estão no jardim, não consigo estar quieta sabendo que tantos lugares precisam ser polinizados. Mas estou aqui, briosa com meus raminhos que não tardam também darão seus próprios frutos.
#Autistaéamãe

Mas que bebé mais feio!!!


Estava eu em minha vidinha observadora do ser humano, como sou #autista  desde que descobri que o mundo não começou no dia em que eu nasci, e que as pessoas não viam e pensavam o mesmo que eu (sim, acreditei nisto até os meus 7 ou 8 anos) comecei a observar muito mais as pessoas para tentar perceber como entendiam o mundo as relações, o que queriam, sentiam... 

Pois bem...nesta manhã estão deliciosos 15° aqui na praia no Estoril, Portugal.

Vejo muitas mães com seus carrinhos de bebé a fazer exercícios outras apenas passeiam.

Eis que uma destas, com roupas curtas de ginástica, demonstrando alguma boa forma física, corria enquanto empurrava o carrinho. Duas senhoras muito simpáticas cumprimentam-na.
"Olha, já por aqui? como estás bem..."
A mãe para sua corrida..
"Está acordada tua bebé? podemos ver?" Consente sorridente e orgulhosa a mãe.

"Que bebé mais gira, mesmo bonita!!! 😍" Sorridentes as tais duas senhoras, despedem-se e a mãe segue para uma via e as duas para outra.
Passam por mim, e oiço-as dizer "Mas que bebé mais feia!!!", "e fulana? está pior que estragada".

Cada dia tenho mais a certeza de que o nosso planeta é cheio de gente, mas escasso de humanos.

Partir as pontes...



E de repente vou entrando em modo anestesia. Começa com uma dor, uma dormência que formiga e pica. Me incomoda e luto contra ela, mais agora que já conheço o prognóstico.
A seguir uma inércia, uma apatia que me rouba a vontade de tentar. Lutei, e se não tive forças, é porque já é inevitável.
Nesta fase me apercebo do caminho que estou a seguir, vejo que ainda há chances de voltar atrás, e tenho duas escolhas: dou marcha trás e repito o ciclo que me levou até ali, ou simplesmente destruo a estrada, quebro as pontes e impossibilito meu caminho de volta.
Eu sou teimosa e emotiva, volto atrás, repito, bato na mesma tecla, em algum momento o enter vai funcionar. Insisto já nem por mim, mas porque sei que vou magoar quando desistir. O mundo não está preparado para nós, pessoas que esquecem.
Acreditam que o rancor, a raiva, o amor... qualquer sentimento, nem que seja o de culpa nos vai fazer ficar.
Um dia apenas já só oiço minha própria voz, já estou a gritar no vazio da indiferença alheia. E neste momento, sem pausas para reflexões, eu parto tudo. Quebro as pontes que me fariam voltar atrás. Já tenho ausência total de dor, de alegria, de sentimentos. A dormência progrediu e agora a analgesia é total. Nem para bem ou para mal...
Um dia assistindo as "Pontes de Madson" me revi, acredito que todas nós nos revemos ali. Sim, eu teria ficado no carro, não, eu não teria seguido caminho com o outro. Mas jamais teria continuado no vazio, na raca da ausência de sentimentos.
Eu preciso falar, ser ouvida e mais do que isso, não posso conviver com apenas o tom da minha voz. Talvez eu não seja tão auto em mim quanto penso.

Assino eu a Mãe que é mulher, é autista e que é passional como todo neurodivergente.

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